PS-Maia

Comemorações do 25 de abril de 1974

17 de abril, 2018 · por António Ramalho · Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista da Maia.

Intervenção Socialista

25 de abril, 2018 · por Cristiana Carvalho · Membro do Secretariado do Partido Socialista da Maia.

Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre, 1963

 

Faço parte de uma geração que não sabe o que é viver em ditadura. Não sei o que é viver com medo, ver a severidade extrema com muitos em oposição à impunidade de alguns. Não sei o que é viver na pobreza, ser obrigada a ir trabalhar demasiado cedo, não ter a oportunidade de estudar porque a família não tinha recursos para isso. Não conheço aquela foi a realidade de quem viveu alguns dos anos mais negros do nosso Portugal do século XX.

Gosto de pensar que a minha geração, tal como as que sucedem Abril de 1974 e que conheceram, ao longo da maior parte da sua vida, um Portugal democrático, são herdeiras da Democracia e da Liberdade, herdeiras desta Revolução que a todos nós orgulha. Herdeiras de um passado de luta, de sacrifício, de “Nãos” ditos alto e bom som por alguns dos que resistiram em nome de todos. Herdeiras, mas também responsáveis por essa herança.

Esta herança de Abril implica, para mim, não só respeitar os valores que estiveram à cabeça da Revolução, mas também dar-lhes continuidade. Ideais como a Liberdade, a Igualdade e a Justiça Social fazem hoje tanto sentido como faziam há 44 anos, ainda que os desafios com que nos deparamos sejam hoje completamente diferentes, fruto da consequente evolução da sociedade. Se há algumas décadas, eram discutidos temas como o divórcio ou o direito de voto das mulheres, hoje essas conquistas são dados adquiridos, graças ao esforço e luta de alguns, tanto no campo legislativo como no campo social.

Assim, herdar os valores de Abril hoje, é também defender o direito que toda e cada pessoa tem de fazer livremente as suas escolhas de vida. Defender Abril é, também, defender as causas mais fraturantes da sociedade, é erguer a nossa voz bem alto em nome da Liberdade. Defender Abril nos dias de hoje é também defender o direito que todos os cidadãos têm de partilhar a sua vida com quem amam, é defender o direito que todas as crianças têm a ter uma família e que todas as famílias têm de poder educar uma criança e transmitir-lhe valores e princípios de vida. E defender Abril é também defender estes direitos para todos os cidadãos, independentemente de, nas palavras da nossa Constituição, “ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

Defender Abril hoje continua também a ser defender as conquistas que já alcançamos, mas que são continuamente ameaçadas. É defender o Sistema Nacional de Saúde, a Justiça, a Segurança Social e o Ensino Público, por exemplo, sabendo identificar os aspetos que podem e devem ser melhorados, para que sejam efetivamente fatores de desenvolvimento e estejam verdadeiramente ao serviço dos cidadãos. Porque defender a Igualdade e a Justiça Social é garantir que todos os portugueses têm acesso a cuidados de saúde, assim como à Justiça, estão protegidos, principalmente quando se encontram socialmente mais vulneráveis, e têm acesso a uma Educação gratuita e de qualidade.

Defender Abril nos dias de hoje não se faz com uma arma na mão. Hoje, Abril defende-se nos espaços de intervenção públicos, sejam cafés ou redes sociais, defende-se nas sedes partidárias e nos órgãos de poder local e de soberania, defende-se na cabine de voto, a exercer o voto livre, um dos mais importantes direitos, e simultaneamente um dever, que a Revolução nos trouxe. Defender Abril não é só andar com um cravo vermelho na lapela um dia por ano, defender Abril é fazer cumprir os seus Ideais e Valores todos os dias, todos os anos.

 

Não se preocupem com o local onde sepultar o meu corpo. Preocupem-se é com aqueles que querem sepultar o que ajudei a construir.”

Salgueiro Maia, Capitão de Abril 

 

Cristiana Carvalho

Militante do Partido Socialista da Maia